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Alveolite (dor depois de extrair o siso): o que a ciência diz sobre como prevenir

Meta-análises mostram que o uso de clorexidina, em gel ou em bochecho, reduz de forma consistente o risco de alveolite após a extração do dente do siso.

· 6 min de leitura · Baseado em evidência científica · Meta-análises · PubMed 28189661; 27479137; 32718882; 33270055

Tirar o dente do siso é um dos procedimentos mais comuns no consultório. Na maioria das vezes, a recuperação é tranquila: um pouco de inchaço e desconforto nos primeiros dias, que vão melhorando aos poucos. Mas uma parte dos pacientes passa por uma complicação conhecida como alveolite, ou "alvéolo seco": uma dor forte que aparece alguns dias depois da extração, justamente quando a pessoa esperava estar melhor. A boa notícia é que esse problema foi muito estudado, e as pesquisas mostram que existem medidas simples capazes de diminuir bastante a chance de ele acontecer. Nesta matéria, explicamos o que é a alveolite e o que meta-análises (estudos que reúnem e analisam juntos os resultados de vários outros estudos) mostram sobre a sua prevenção.

O que é a alveolite e por que ela dói tanto

Quando um dente é extraído, fica no osso um espaço chamado alvéolo. Logo após a extração, esse espaço se enche de sangue, que forma um coágulo. Esse coágulo funciona como um curativo natural: protege o osso e serve de base para a cicatrização da gengiva e para a formação de osso novo.

Na alveolite, esse coágulo se desfaz ou se perde antes da hora. O osso fica exposto ao ambiente da boca, com saliva, restos de alimento e bactérias. O resultado costuma ser uma dor intensa e latejante, que muitas vezes irradia para o ouvido, e pode vir acompanhada de mau hálito e gosto ruim na boca. Em geral, os sintomas começam entre o segundo e o quarto dia após a cirurgia.

A alveolite é mais frequente na extração dos sisos de baixo (os terceiros molares inferiores), que geralmente exigem uma cirurgia mais trabalhosa. Ela não costuma trazer riscos graves, mas causa bastante sofrimento e exige retornos ao consultório para cuidar da região. Por isso, preveni-la faz muita diferença no conforto do paciente.

Clorexidina: o que é e como ela é usada

A clorexidina é um antisséptico, ou seja, uma substância que reduz a quantidade de bactérias na boca. Ela é usada há décadas em odontologia, na forma de bochecho (enxaguante) ou de gel. No contexto da extração do siso, ela pode ser aplicada pelo dentista dentro do alvéolo, logo após a cirurgia, ou indicada para bochechos no período da cirurgia, conforme o caso.

A ideia é simples: menos bactérias na região significa menos chance de o coágulo ser desfeito e de o osso inflamar. E as pesquisas confirmam que essa estratégia funciona.

O que as meta-análises mostram

Uma meta-análise publicada em 2017 reuniu 18 ensaios clínicos randomizados (estudos em que os pacientes são sorteados para receber ou não o tratamento), somando 2.824 extrações de sisos. O uso de clorexidina, em qualquer forma, concentração ou esquema, reduziu o risco de alveolite praticamente pela metade. Os resultados dos diferentes estudos foram muito parecidos entre si, o que reforça a confiança na conclusão. Os pesquisadores calcularam que, a cada 8 pacientes que usam clorexidina, um caso de alveolite é evitado. Além disso, a clorexidina não causou mais reações indesejadas do que o placebo.

Outra meta-análise de 2017, com 11 estudos, avaliou especificamente o gel de clorexidina a 0,2% aplicado após a extração dos sisos inferiores. O gel reduziu o risco de alveolite em 62% em comparação aos grupos que não usaram o produto.

Em 2020, uma meta-análise em rede (um tipo de análise que compara vários tratamentos ao mesmo tempo) reuniu 37 ensaios clínicos, com mais de 6 mil cirurgias de siso inferior em 4.716 pacientes. Ela mostrou que colocar algum tipo de material ou medicamento dentro do alvéolo logo após a cirurgia diminuiu significativamente a ocorrência de alveolite. Entre as opções avaliadas, as que tinham mais estudos e mais pacientes, e portanto evidência mais sólida, foram o gel de clorexidina a 0,2% e a fibrina rica em plaquetas (conhecida pela sigla PRF, um material preparado a partir do próprio sangue do paciente).

Também em 2020, uma meta-análise que incluiu 32 estudos confirmou, com boa força de evidência, que o uso de clorexidina reduz a taxa de alveolite após extrações dentárias. O mesmo trabalho observou ainda uma redução na bacteremia, que é a passagem temporária de bactérias da boca para a corrente sanguínea durante o procedimento.

O papel do paciente na recuperação

As meta-análises mostram o efeito de medidas aplicadas ou indicadas pelo dentista, mas a recuperação também depende dos cuidados em casa. Como o coágulo é a peça-chave da cicatrização, as orientações pós-operatórias costumam ter um objetivo em comum: protegê-lo nos primeiros dias.

Por isso, é comum o dentista orientar a evitar bochechos vigorosos e cuspir com força nas primeiras horas, não usar canudo, não fumar, preferir alimentos macios e frios ou mornos e manter a higiene dos outros dentes com cuidado, sem escovar diretamente a região operada no início. O uso de bochechos ou gel deve seguir exatamente a forma e o tempo indicados pelo profissional, já que a clorexidina é um produto para uso por período determinado.

Se, alguns dias após a extração, a dor aumentar em vez de diminuir, ou surgirem mau hálito e gosto ruim persistentes, o ideal é entrar em contato com o dentista. A alveolite tem tratamento local, feito no consultório, que alivia a dor e ajuda a região a cicatrizar.

Cada caso é avaliado individualmente

Nem toda extração tem o mesmo risco de alveolite. A posição do dente, a complexidade da cirurgia, o hábito de fumar, o uso de alguns medicamentos e a saúde geral do paciente são fatores que o dentista considera ao planejar o procedimento e os cuidados pós-operatórios. É com base nessa avaliação que ele decide se, como e por quanto tempo usar a clorexidina ou outras medidas preventivas.

Também é importante lembrar que a prevenção reduz o risco, mas não o elimina totalmente. O acompanhamento nos dias seguintes à cirurgia permite identificar e tratar cedo qualquer complicação.

Em resumo

A alveolite é a principal causa de dor forte nos dias seguintes à extração do siso, mas pode ser prevenida em boa parte dos casos. Diferentes meta-análises, que reuniram milhares de extrações, chegaram à mesma conclusão: o uso de clorexidina, em gel ou bochecho, reduz de forma consistente o risco desse problema, com segurança.

Se você precisa extrair um dente do siso, converse com seu dentista sobre o planejamento da cirurgia e os cuidados pré e pós-operatórios. Uma avaliação individual, com exame clínico e radiográfico, é o caminho para definir a estratégia adequada para o seu caso e tornar a recuperação mais tranquila.

Fontes

Saiba mais: Primeira consulta: a página da Todescan Jr

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